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Uma casa sem livros é como um corpo sem alma., Cícero

...SÓ SEI QUE NADA SEI!

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Cícero

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Marco Túlio Cícero (106–43 a.C.; em latim: Marcus Tullius Cicero, em grego clássico: Κικέρων; transl.: Kikerōn) foi um advogado, político, escritor, orador e filósofo da gens Túlia da República Romana eleito cônsul em 63 a.C. com Caio Antônio Híbrida. Era filho de Cícero, o Velho, com Élvia e pai de Cícero, o Jovem, cônsul em 30 a.C., e de Túlia. Cícero nasceu numa rica família municipal de Roma de ordem equestre e foi um dos maiores oradores e escritores em prosa da Roma Antiga. 

 Sua influência na língua latina foi tão imensa que acredita-se que toda a história subsequente da prosa, não apenas no Latim, como nas línguas europeias, no século XIX seja ou uma reação contra seu estilo ou uma tentativa de retornar a ele. Segundo Michael Grant, "a influência de Cícero sobre a história da literatura e das ideias europeias em muito excede a de qualquer outro escritor em prosa de qualquer língua". 

Cícero introduziu os romanos às principais escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico latino (inclusive com neologismos como "evidentia","humanitas", "qualitas", "quantitas" e "essentia"), destacando-se como tradutor e filósofo. 

 A redescoberta das cartas de Cícero por Petrarca é geralmente considerada como um dos eventos iniciais do Renascimento, no século XIV, nos assuntos públicos, humanismo e na cultura romana clássica. Segundo o historiador polonês Tadeusz Zieliński, "o Renascimento era, acima de tudo, um reavivamento de Cícero e, apenas depois dele e através dele, do resto da antiguidade clássica". 

O pico da autoridade e prestígio de Cícero se deu durante o Iluminismo no século XVIII e seu impacto sobre os principais pensadores iluministas, como John Locke, David Hume e Montesquieu, foi substancial. Suas obras estão entre as mais influentes da cultura europeia e ainda hoje constituem um dos mais importantes corpus de material primário para obras e revisões sobre a história da Roma Antiga, especialmente sobre os últimos dias da República Romana. Embora tenha sido um dotado orador e um advogado de sucesso, Cícero acreditava que sua carreira política era sua conquista mais importante. 

Foi durante seu consulado que a Segunda Conspiração de Catilina tentou derrubar o governo romano através de um ataque por forças estrangeiras e Cícero suprimiu a revolta executando cinco dos conspiradores sem o devido processo legal. Durante a caótica segunda metade do século I a.C., marcada pelas sucessivas guerras civis e pela ditadura de Júlio César, Cícero liderou a campanha pelo retorno do governo republicano.

 Logo depois da morte de César, Cícero se destacou como inimigo de Marco Antônio nas lutas pelo poder que se seguiram, atacando-o numa série de discursos. 

Acabou proscrito como inimigo do estado pelo Segundo Triunvirato e consequentemente executado por soldados por sua ordem em 43 a.C., depois de ser interceptado numa tentativa de fugir da península Itálica. Suas mãos e sua cabeça foram, como vingança final de Antônio, exibidas no Fórum Romano.

Santo Agostinho, leitor de Platão: entre fé, razão e carne

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Aurélio Agostinho (354-430), mais conhecido como Santo Agostinho, nasceu em Tagasta, cidade situada na Numídia (atual Argélia), na África do Norte. Seu pai era pagão e sua mãe, católica. Aos 16 anos, em Cartago, estudou retórica. À época, rejeitava a fé e a moral cristãs. Viveu com uma concubina, Flora Emília, por dez anos, com quem teve um filho, Adeodato. Depois, partiu para a Itália, onde teve outra amante. Leu Hortensius, de Cícero, e assim despertou um interesse mais profundo pela sabedoria. Num primeiro momento, visando compreender como o mal e o amor influenciam a vida humana, estudou a filosofia dos maniqueus, que se guia por dois princípios básicos: a-) princípio da luz ou do bem, e b-) princípio das trevas ou do mal. 

De acordo com Wayne Morrison (nota de rodapé, p. 67), ambos princípios coexistem eternamente e em conflito. Isso refletiria o eterno conflito entre corpo e alma, no qual a alma é associada como luz em busca do bem, e o corpo como trevas cuja tendência é inclinar-se ao mal. Porém, com essas dúvidas, impasses gerados diante da ambivalência dos princípios presentes na natureza, como resolver o impasse? Como verificar se a natureza é realmente confiável? Morrison (nota de rodapé, p. 67-68) explica que Santo Agostinho recorreu ao neoplatonismo, no qual a busca de conhecimento seria basicamente o conhecimento dos fins últimos. Mas que, para ele, seria basicamente chegar ao conhecimento de que Deus existe e de que é preciso buscar a vontade divina. Aí, passou a conciliar a filosofia de Platão com o cristianismo. 

“Agostinho, como Platão, tinha paixão e sede de verdade: alcançá-la é chegar à felicidade; estes são os dois polos, dois pilares que sustentam o maravilhoso edifício da filosofia e da teologia de Agostinho”, coloca Olinto Pegoraro (p. 62). Converteu-se ao cristianismo em 386 e deixou de ser professor de retórica. A verdade, para Agostinho, passou a ser encontrada no interior de cada homem, de busca de auto-conhecimento, que, automaticamente, corresponderia ao conhecimento de Deus. “Conhecer-se e conhecer a Deus constituem uma única e mesma atividade do espírito, para Agostinho. 

Alma e Deus, como objetos de conhecimento, remetem a um estudo unificado de todo o mistério da criação”, falam Eduardo Carlos Bianca Bittar e Guilherme de Assis Almeida (p. 223). Em 396, foi nomeado bispo de Hipona, cidade portuária perto de onde nasceu. “A conversão de Augustinus, em 386, representou sua verdadeira adesão à filosofia, não no sentido de que não a praticasse anteriormente (maniqueísmo), mas no sentido de que sua profissão de fé se tornou o sacerdócio da palavra divina por meio de sua filosofia”, assinalam Bittar e Almeida (p. 212).

 Testemunhou a queda do Império Romano e a transição do paganismo romano ao cristianismo. “Em Santo Agostinho, é flagrante a preocupação com o transcendente, e isso não só em função de suas conversão para o cristianismo, mas sobretudo em função de sua profunda formação em cultura helênica, sobretudo tendo-se em vista o eco do platonismo nos séculos III e IV da Era Cristã. É certo que no teologismo da obra agostiniana vive-se o mesmo estremecimento pelo qual Agostinho passou quando de suas conversão. Isso porque a influência dos dogmas cristãos estão-lhe a perpassar gradativa e paulatinamente mais os escritos à medida que ganha maturidade seu pensamento”, explicam Bittar e Almeida (p. 211-212). Um adendo. A primeira concubina de Santo Agostinho, Flora Emília, foi retratada no livro “Vita brevis”, do filósofo e escritor norueguês Jostein Gaarder (autor de “O mundo de Sofia”). Trata-se de uma crítica dela ao desprezo sofrido depois do abandono do seu amado e da sua jornada para ela mesma se tornar uma filósofa. O próprio Gaarder diz que o manuscrito teria sido comprado num “sebo” na Argentina, porém, não havia possibilidade de se atestar a veracidade do mesmo. 

Conversão de Agostinho: conflito entre fé e carne 

Em Confissões, Santo Agostinho escreveu sobre sua conversão à fé cristã. A narrativa, embora com palavreado bíblico, é recheado de aflição, desejos e, por último, anseia a descoberta de um local onde a alma atormentada possa repousar. “Santo Agostinho travou uma luta com seu corpo e sua mente; vivenciou a instabilidade dos bordéis, da bebida e das prostitutas. (...) O caminho de Santo Agostinho para a humanidade é uma narrativa de ascetismo e renúncia. Devemos renunciar ao mal e lutar para superar quaisquer elementos de nossas vidas que sejam um obstáculo a uma vida mais elevada e verdadeira. 

O êxito da jornada depende de nossa capacidade de nos concentrar no que é essencial e de superar as distrações e os impedimentos”, afirma Morrison (p. 70-71). É importante também salientar a visão de ser humano que Santo Agostinho tinha, que foi formada a partir de três fontes, segundo Henrique C. de Lima Vaz (63-66): a-) neoplatonismo, a partir de Plotino, Porfírio e Mário Vitorino. Essa influência neoplatônica se mostra principalmente na estrutura do ‘homem interior’ coroada pela mens (o nous dos neoplatônicos), na qual “Deus está presente como interior e superior”, reitera Vaz (p. 65); b-) antropologia paulina, a partir da qual formulou a doutrina do pecado original e da graça, incluindo, ademais, a problemática da liberdade e do livre-arbítrio; c-) a antropologia da narração bíblica da criação, ou seja, o homem como imagem de Deus.

O caminho do verdadeiro conhecimento – ou da verdadeira filosofia – e do amor à sabedoria para Agostinho viria da moderação (também chamada por Platão de temperança), que protegeria os humanos dos extremos da curiosidade. Assim, não se deveria fazer perguntas ao cosmos (universo) no intuito de se assenhorar dele. Porém, com humildade dos homens – que deveriam conhecer sua limitação e dependência – para uma ascensão ao conhecimento mais puro e verdadeiro. Ou seja, Deus. “Nesse sentido é que se pode concluir que Deus preenche a existência humana à medida que a vida eterna é o destino de toda alma por Ele criada; galgar o pax aeterna é o destino de toda a alma. Assim é que se pode dizer que a alma é a vida do corpo, e que Deus é a vida bem-aventurada do homem”, dizem Bittar e Almeida (p. 220). 

Agostinho resgata a metafísica de Platão, com fortes doses da Palavra Evangélica, ao tratar dos problemas éticos, políticos e jusfilosóficos. “Santo Agostinho cristianizou a estrutura platônica ao explorar a tese dualista dos maniqueus – o mundo é composto pelas duas forças do bem e do mal, da luz e das trevas em permanente conflito – e a acusação cética dos acadêmicos – não há como o homem possa chegar a conhecer a verdade absoluta”, comenta Morrison (p. 68). Platão escrevia que as verdades válidas estariam no mundo das idéias, compreensível por meio da razão, e não no mundo sensível, compreendido pelos sentidos, como esplendidamente retratado no mito da caverna. A fé praticamente tomaria o lugar da razão, com a interpretação de Agostinho. Ou melhor, a razão subordinaria a fé aos seus desígnios. 

E isso serviria essencialmente para justificar a existência de fatos que a razão não consegue explicar. “Se as entidades fundamentais não podem ser descobertas pela capacidade de investigação do homem, elas devem ser aceitas com base na fé, e o papel da razão é construir estruturas baseadas na confluência da fé (e das coisas que nos são apresentadas através da revelação) e da razão. Fundamentalmente, Deus cria o cosmo e é o último obstáculo a qualquer tentativa de buscar comprovações lógicas da existência; portanto, a verdadeira sabedoria é a sabedoria cristã. A razão deve alinhar-se à revelação e, valendo-se de um instrumental lógico, criar argumentos baseados na segurança das entidades a nós reveladas. Filosofia é teologia”, escreve Morrison (p. 68-69). 
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Assim como o indivíduo que sai de dentro da caverna, e os olhos são ofuscados pelo Sol (simbolizando a aquisição do conhecimento), o fiel também se vislumbra perante a iluminação divina. “Portanto, para Agostinho a verdade não é uma teoria, como para os gregos, mas é um encontro, um mergulho da alma na fonte da Vida, no oceano da eterna luz. Para Platão o sol é metáfora, para Agostinho é a verdade em pessoa, Deus, única paixão de Agostinho; encontrar a verdade e com ela a felicidade e nelas repousar são uma só realidade. Agostinho exprime tudo isto numa famosa frase: ‘Tu nos fizeste para ti, Senhor, e nosso coração andará inquieto até que não repouse em ti’ (Conf., I, 1)”, comenta Olinto Pegoraro (p. 63). Mais uma vez, se repete a fórmula: filosofia serva da teologia. Arremata MacIntyre: 

“Desse modo, a fé que inicialmente move e informa a vontade é anterior à compreensão; o que a compreensão pode fornecer é uma justificação racional por ter inicialmente acreditado ou feito o que a fé determinou, mas tal justificação deve sempre ser retrospectiva. A racionalidade prosprectiva, compreendida em grande parte como Platão a tinha compreendido, é possível para o intelecto informado pela fé, posteriormente informando a vontade que a tenha e que continua a dirigi-la da mesma forma.”

terça-feira, 20 de junho de 2017

Corão ou Alcorão

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Maomé NOME ORIGINAL_Qur·an (atual Arábia Saudita) EDIÇÃO NO BRASIL_ Marsam; 2001 

DO QUE TRATA 

O Corão é considerado pelos muçulmanos a palavra literal de Alá – Deus, em árabe -, revelada ao longo de 22 anos a Maomé. Para os islâmicos, ele é o profeta final, enviado para pregar a mesma mensagem de Jesus e de Moisés, que teria sido corrompida ao longo dos anos. O livro tem 114 capítulos ou surahs (suratas) e 6236 ayats (versos) e foi escrito para ser recitado – corão significa “recitação” ou “leitura”. 

Não se trata de um relato religioso, mas de um código de leis que deve reger a vida em todas as áreas. Versa sobre os atributos de Deus, os crentes e suas virtudes e até temas de ciência. Alguns personagens da Bíblia, entre eles Adão, Abraão, Moisés, Jesus e Maria, são mencionados no livro como profetas do Islã. 

QUEM ESCREVEU 

Afirmar que o Corão foi escrito pelo profeta Maomé (também chamado de Mohammed) é uma meia-verdade. Segundo a tradição, ele era analfabeto – e considerava isso prova de que não tinha sido influenciado por outros textos sagrados. Mas ele é o autor do livro porque teria recebido as revelações do anjo Gabriel, enviado por Alá, e posteriormente recitado aos seus companheiros, que escreveram e reuniram as revelações em um só tomo. Maomé (570-632) nasceu em Meca, na Arábia Saudita. Aos 40 anos, começou sua pregação pública, encontrando uma crescente posição. Perseguido em sua terra natal, foi obrigado a emigrar para Medina em 622, acontecimento que entrou para a história como o marco inicial do calendário muçulmano. 

POR QUE MUDOU A HUMANIDADE 

O livro deu origem ao islamismo, a religião mais praticada no mundo, com cerca de 1,3 bilhão de adeptos. Serve como lei e código moral em cerca de 40 países e é base do principal conflito de civilizações da atualidade. O Corão também é usado hoje para justifi car os atos de terroristas, que o citam apenas nos trechos em que se convoca para a luta, deixando esquecidos os versos em que se prega a paz e o entendimento. Quando o escreveu, Maomé convivia com uma guerra em larga escala em sua terra, o que explica por que muitas passagens do livro sagrado dos muçulmanos tratam de conflitos armados, execução de inimigos e guerras em nome da fé. 

16ª Surata – versículo 89 

“Recorda-lhes o dia em que faremos surgir uma testemunha de cada ovo para testemunhar contra os seus, e te apresentaremos por testemunha contra os teus. Temos-te revelado, pois, o Livro que é ma explanação de tudo, é guia, misericórdia e auspício para os muçulmanos”. 

109ª Surata – versículo 1 a 6 

“Dize: Ó incrédulos, Não adoro o que adorais, Nem vós adorais o que eu adoro, E jamais adorarei o que adorais, Nem vós adorareis o que adoro, Vós tendes a vossa religião e eu tenho a inha.”

74ª Surata – versículo 31 

“E não designamos guardiões do fogo, e não os anjos, e não fixamos eu número, senão como prova para os incrédulos, para que os adeptos o Livro se convençam; para que os fiéis aumentem em sua fé e para que os adeptos do Livro, assim como os fiéis, não duvidem; e para que os que abrigam a morbidez em seus corações, bem como os incrédulos, digam: Que quer dizer Deus com esta prova? 

Assim Deus extravia quem quer e encaminha quem Lhe apraz e ninguém, senão Ele, conhece os exércitos do teu Senhor. Isto não é mais do que uma mensagem para a humanidade.” Acredita-se que apenas a versão original em árabe do Corão contenha as palavras exatas recebidas pelo profeta Maomé. As traduções em outras línguas são tidas como “sombras fracas” do original e geralmente são designadas como “significado” ou “explicação” do Corão, nunca “tradução”.
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

A ciência comprova: ler faz bem para o cérebro

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Uma lista com diversos benefícios da leitura comprovados pela ciência. Talvez a conclusão deste post não surpreenda a maioria dos leitores, mas a ciência comprovou recentemente o que parecia óbvio: literatura faz bem para o cérebro! Nos Estados Unidos, um grupo de teste foi convidado a ler um capítulo do romance Mansfield Park, de Jane Austen, dentro de uma máquina de ressonância magnética, enquanto pesquisadores da universidade de Stanford analisavam os resultados neurológicos. 

Para o experimento, era preciso ler o capítulo de duas formas distintas: primeiramente, uma leitura descompromissada; depois, uma leitura para análise crítica da obra. A conclusão do estudo apontou que a leitura de livros pode ser um exercício valioso para o cérebro, já que quando lemos, o sangue flui para diversas áreas associadas à concentração e, no caso de uma leitura mais crítica, também para áreas menos ativas do cérebro. 

Logo, o estudo concluiu que a forma de leitura afeta o cérebro e através dela podemos treiná-lo para ser cada vez melhor em atividades que exigem compreensão e concentração. Logo, o estudo conclui que a forma de leitura afeta o cérebro e pode indicar formas de treiná-lo para ser cada vez melhor em atividades que exigem compreensão e concentração. Estudos semelhantes para avaliar os benefícios da leitura com máquinas de ressonância magnética já haviam sido realizados antes na Europa. 

Em 2010, o neurocientista Stanislas Dehaene, diretor da Unidade de Neuroimagiologia Cognitiva do Inserm-CEA, na França, usou exames de ressonância magnética para avaliar o cérebro de adultos alfabetizados e analfabetos. Os cientistas descobriram, então, que os cérebros dos adultos que podiam ler eram mais ativos, ainda que, em contrapartida, perdessem parte de sua memória visual, possuindo menos habilidade no reconhecimento facial. Interessados nos ganhos que um livro pode trazer para nossas vidas fomos atrás e listamos os principais ganhos. Confira: 
10 benefícios da leitura. 

1. A leitura estimula a memória, expandindo a capacidade de nossa mente. 
 2. A leitura é combustível inesgotável para a imaginação. 
 3. A leitura nos dá as palavras, instrumento para expressar nossos sentimentos. 
 4. A leitura nos aproxima da compreensão de mundo e da auto-compreensão. 
 5. Ao ler, nos deparamos com aquilo que pensamos: com nossas crenças. 
 6. É possível experimentar com a leitura, sem de fato experimentar fisicamente. 
 7. O ato de ler naturalmente leva a escrever e a escutar. 
 8. Ler eleva a autoestima. 
 9. A leitura desconhece a solidão, nos permite estar sempre acompanhados. 
 10. A leitura constrói sonhos e nos empurra à realização.
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domingo, 7 de maio de 2017

Resenha de 'Guerra e paz', de Tolstói

Guerra e paz, de Liev Tolstói.  2.536 pgs
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 O mundo muda quando eu mudo”. Formulou-se essa ideia, séculos atrás, no caldeirão de sabedorias da Índia. Tolstói, que morreu mal faz cem anos, pôs a mesma questão entre os temas centrais de “Guerra e paz”, em cujas tantas direções e veredas cada leitor encontra, como em toda grande obra, um caminho promissor que mais de perto lhe fale. Na página 896 do romance, quando as mudanças que os personagens principais sofrerão ainda estão em preparo, Pierre Bezukhov, sem dúvida o que muda mais rápido e mais profundamente, declara numa assembleia de maçons: 

“Toda reforma violenta merece reprovação, porque pouco irá remediar o mal, enquanto as pessoas permanecerem como são”. Os objetivos de Pierre — agir bem, antepor o interesse coletivo ao apego pelas próprias paixões, aprimorar-se sem descanso para manter cristalina a consciência — são princípios idênticos aos do príncipe Andrei. O príncipe infeliz, mais que seu melhor amigo, é a outra face do desenho dessa mesma aspiração elevada, com um forte contraste entre os dois tipos. 

 Andrei é seco, reservado, rígido: faz seu esforço de modo retilíneo, pensando em chegar à glória por ser alguém virtuoso. Pierre, grande, gordo, desajeitado, afetuoso e expansivo, é um senhor que progride aos tropeções. Almeja poder viver para os outros e, sendo um conde rico, os mais espertos se aproveitam disso. Tornado herói a contragosto, deixa-se moldar como o querem, de forma passiva, com muita dificuldade de se encaixar nos papéis que a narração e a sociedade lhe impõem. Acham-no bom. Mas ele não se envaidece e vive às turras consigo, porque sabe que a cada gesto de acerto normalmente sucede um novo fracasso. 

 A aspiração elevada que se encarna nos dois amigos sinceros não combinava com os prazeres da paz, exibidos nos salões deslumbrantes onde a nobreza russa se banqueteava em conluios, nem podia ser mantida nos horrores da guerra, onde os próprios generais brigavam entre si, roendo-se de orgulho nervoso, para se avantajar em prestígio e conquistar mais medalhas. Andrei, militar inteligente e escrupuloso que enjoa das esferas de mando, vai aos campos de batalha encarar a morte de frente.

 Pierre foge dos salões que o adulam porque não suporta o vazio dos que ali só se distinguem pelo peso da empáfia. Nas primeiras páginas de “Guerra e paz”, estamos em 1805 e uma “decorosa máquina de conversação” funciona no salão de Anna Pavlóvna, centro de atividade incessante para cortesãos antenados. 

Os interesses que se aliam, os casamentos que valem a pena tramar, as fortunas que poderão ser herdadas, as fraudes talvez possíveis, todas as transações se efetuam sob primorosos disfarces, como cenas devidamente ensaiadas que vão compondo o espetáculo. Em 1812, quando chegamos à página 1.442 do romance, e as tropas de Napoleão, tendo invadido boa parte da Rússia, já estão quase em Moscou, o salão de Anna Pavlóvna em Petersburgo continua a ser o mesmo. Seus rituais se repetem. As pessoas se exaurem como antes. O luxo das indumentárias rebrilha. 

O que há de novo e agora anima as conversas são as notícias da guerra, onde a ofensiva de Bonaparte se toma por uma ofensa ao decoro, como se atrapalhasse os prazeres dos cortesãos. Os camponeses saqueados estão à beira do abismo, mas o eco das calamidades não chega, em Petersburgo, a perturbar as noitadas. Natacha, enquanto isso, depois de um período no campo, foi pela primeira vez ao teatro. Na peça, tudo lhe pareceu “tão falso e afetado, tão artificial, que ela ora sentia vergonha pelos atores, ora tinha vontade de rir”. No público, notava “uma admiração fingida”. Tratando-se porém de Natacha, a favorita dos dois amigos sinceros, entende-se que ela passasse logo da reserva para uma aceitação pura e simples. “Na certa tem de ser assim mesmo”, pensa a menina que ali se iniciava nos mistérios mundanos. 

 Aquele olhar de Natacha, juntando a falsidade da peça ao fingimento do público, equivale ao do realismo satírico que Tolstói nos propõe: nos salões iluminados onde se venera o czar, como em todos os redutos da aristocracia na Europa, o que impera é o teatro do mundo. Envolvida por sua “luz radiosa”, que ofusca o espírito crítico, a bonita no$há de cair no “estado de embriaguez” e leveza no qual será seduzida. A cena da sedução de Natacha no teatro, por um falso pretendente que está disposto a enganá-la, é tão famosa e comentada quanto o episódio em que Pierre se move, “por conta própria” e elegante, mas em traje civil, no teatro de operações da guerra. Na batalha de Borodinó, por onde passeia entre as matanças, nada ele entende do que avista, nem sequer consegue distinguir as posições contrárias. É um ingênuo no caos. 

À sua frente, a natureza o absorve. Mas sua compreensão não alcança o corre-corre das tropas, o automatismo das vontades, o desencontro das ordens, o absurdo dos corpos de cristãos que se farão em pedaços. A mudança essencial de Pierre ocorre um pouco mais tarde, quando, chocado com a execução de prisioneiros, ele acaba perdendo a fé em tudo. Largando para trás seu passado, afinal se transforma num homem qualquer do povo, que vagueia em farrapos, sem identidade, e será preso entre os russos. 

Mas dos escombros da descrença — e esta é a marca de Tolstói — nasce um filete de esperança que o transformará ainda mais. Se já tinha desistido da ideia de aprimorar a alma da espécie, Pierre agora, sentindo-se tão perto dos seus, sente-se invadido por um jorro de paz que o reconforta. De um soldado que também está preso e filosofa sem pressa, “a personificação de tudo o que é $, bom e redondo”, ele aprende que não há nada mais sábio do que ser simples. Pelo que em geral se rotula de “fatalismo histórico” nas concepções de Tolstói, “o movimento dos povos”, como ele escreve em seu epílogo, “é produzido não pelo poder, mas pela atividade de todas as pessoas que participam do acontecimento”. 

Sob esse prisma, quem apeia em Moscou, e lá encontra uma cidade vazia, desertada pelos habitantes, não é o grande Napoleão Bonaparte: é cada um dos seus soldados que vem atrás e saqueia o que ainda resta. O corso, destronado da condição de grande, só aparece em “Guerra e paz” pelos seus lados ridículos. Como quando ele continua a falar, em pleno campo de batalha, “com a veemência e com a irritação destemperada tão comuns nas pessoas mimadas”. Em termos de simplicidade, a tradução de Rubens Figueiredo é um encanto. Feita diretamente do russo, conserva um belo tom espontâneo que se acredita ser a marca do autor. 

Em tudo, há um detalhismo de artesão, página a página, que cada vez dá mais vontade de prosseguir na leitura. Os diálogos, onde muitas traduções claudicam, soam aqui naturalmente. Quando fala a nobreza, são formais e contidos. Quando fala a voz do povo, o uso de expressões correntes, como “pegar no pé”, “salvar a pele”, “dar moleza”, “pagar o pato” ou “soltar os cachorros” confere à preciosidade do clássico, renovando-a, um gostoso sabor contemporâneo. 

    LEONARDO FRÓES é poeta e tradutor
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quinta-feira, 4 de maio de 2017

No pick up ,Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida

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Tenho ouvido ultimamente o album Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida - Rita Lee/ Mutantes - O disco foi a maneira encontrada pela banda Os Mutantes para aproveitar a inauguração do Estúdio Eldorado que possuía uma mesa de 16 canais, a única disponível no Brasil naquele momento.Assim, o álbum foi creditado à cantora e compositora brasileira Rita Lee, embora, de fato, seja um disco gravado pela banda toda. 
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Este seria, assim, o último disco gravado pela formação clássica do grupo Os Mutantes,do qual a cantora fez parte no início de sua carreira. O grupo já havia lançado um álbum em 1972, mas o contrato com a sua gravadora só permitia o lançamento de um disco por ano.

Guerra de Canudos

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Guerra de Canudos, ou Campanha de Canudos, foi o confronto entre o Exército Brasileiro e os integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, então na comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no nordeste do Brasil. A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. 

Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social. Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia. 

 Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, o que apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. 

Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial.