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Uma casa sem livros é como um corpo sem alma., Cícero

...SÓ SEI QUE NADA SEI!

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terça-feira, 4 de maio de 2021

Opinião de blogueiro: Ranking: R. Seixas e depois Zé Ramalho

 

Na opinião desse intrépido e incauto blogueiro, no ranking da MPB depois de Raul Seixas vem Zé Ramalho, ele é da Paraíba,Zé Ramalho, nome artístico de José Ramalho Neto (Brejo do Cruz, 3 de outubro de 1949) é um cantor, compositor e músico brasileiro.
Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Zé Ramalho na 41ª posição. Pelo lado paterno, é primo da também cantora Elba Ramalho. José Ramalho Neto nasceu em 3 de outubro de 1949 na cidade de Brejo do Cruz, no sertão da Paraíba, no Brasil, a 380 quilômetros da capital, João Pessoa, filho de Estelita Torres Ramalho, uma professora do ensino fundamental, e Antônio de Pádua Pordeus Ramalho, um seresteiro. Quando tinha dois anos de idade, seu pai se afogou em uma represa do sertão, e passou a ser criado por seu avô. A relação entre os dois seria mais tarde homenageada na canção "Avôhai". Após passar a maior parte da sua infância em Campina Grande, sua família se mudou para João Pessoa. Zé ingressou no curso de medicina da Universidade Federal da Paraíba.

 Assim que a família se estabeleceu em João Pessoa, ele participou de algumas apresentações de Jovem Guarda, sendo influenciado por Renato Barros, Leno e Lílian, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Golden Boys, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd e Bob Dylan. Em 1974, seu primeiro filho com Ízis, Christian, nasceu. Antes de compor, ele escrevia versos de cordel.

 Carreira Os primeiros trabalhos: 1974-1975 

 Zé Ramalho no começo dos anos 1970 Em 1974, ele tocou na trilha sonora do filme Nordeste: Cordel, Repente e Canção, de Tânia Quaresma. Na época, passou a misturar as suas influências: de Rock "n" Roll a forró. Um ano depois, gravou seu primeiro álbum, Paêbirú, com Lula Côrtes na gravadora Rozenblit. Hoje em dia, as cópias desse disco valem muito por serem raras. Começo da carreira: 1975-1984 Em 1976, deixou o curso de medicina e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde tentou encontrar uma gravadora para lançar seu primeiro disco. Depois de ser dispensado por vários produtores e executivos, encontrou uma oportunidade com Jairo Pires, na época da CBS.

 Em 1977, gravou seu primeiro álbum solo, Zé Ramalho. No ano seguinte, seu segundo filho, Antônio, nasceu. Em 1979, veio o terceiro filho, João, fruto de sua relação com a cantora Amelinha, e também o segundo álbum, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu. Ainda neste ano, produz o álbum 20 Palavras ao redor do Sol, primeiro trabalho de Cátia de França. Mudou-se para Fortaleza em 1980, onde escreveu seu livro Carne de Pescoço. 

O terceiro álbum A Terceira Lâmina, foi lançado em 1981, ano em que nasceu sua primeira filha, Maria Maria; logo após, veio o quarto disco, Força Verde, em 1982. Em 1983, após o lançamento do quinto álbum, Orquídea Negra, terminou sua relação com Amelinha Collares. Depois de gravar Pra Não Dizer que Não Falei de Rock (também conhecido como Por Aquelas que Foram Bem Amadas), no início do ano de 1984, casou com Roberta Ramalho, com quem é casado até hoje. Acusação de plágio Zé Ramalho foi acusado na edição da revista Veja de 21 de julho de 1982 de plagiar na letra da canção "Força Verde", um texto de William Butler Yeats utilizado como introdução pelo roteirista Roy Thomas numa revista em quadrinhos do Hulk publicada no Brasil 10 anos antes pela GEA. 

 
Queda na popularida
de: 1985-1990 

Os anos 80 seriam palco de uma queda no sucesso de Zé Ramalho, com o lançamento dos álbuns De Gosto de Água e de Amigos (1985), Opus Visionário (1986) e Décimas de um Cantador (1987). Uma possível causa dessa fase ruim seria o uso de experimentalismo na música. Em 1990 e 1991, ele tocou nos Estados Unidos para um público brasileiro. 

De volta ao sucesso: 1991-2001


Em 1991, sua única irmã, Goretti, morreu. Ainda assim, gravou seu décimo primeiro álbum, Brasil Nordeste (que continha regravações de músicas típicas nordestinas) e voltou ao seus tempos de sucesso. A canção "Entre a Serpente e a Estrela" foi utilizada na trilha sonora da novela Pedra Sobre Pedra. Em 1992, teve seu quinto filho, José, (o primeiro com Roberta), fato que foi seguido pelo lançamento do álbum Frevoador. Em 1995, nasceu a segunda filha: Linda.

Em 1996, gravou o álbum ao vivo O Grande Encontro com Elba Ramalho e os famosos nomes da MPB Alceu Valença e Geraldo Azevedo. No mesmo ano, lançou o álbum Cidades e Lendas.

O sucesso de O Grande Encontro foi grande o suficiente pra que Zé Ramalho decidisse gravar uma nova versão de estúdio em 1997, desta vez sem Alceu Valença. O álbum vendeu mais de 300.000 cópias, recebendo os certificados ouro e platina.

Para celebrar seus vinte anos de carreira, lançou o CD Antologia Acústica. A gravadora Sony Music também lançou uma box set com três discos: um de raridades, um de duetos e um de sucessos. A escritora brasileira Luciane Alves lançou o livro Zé Ramalho – um Visionário do século XX.

Antes do fim do milênio, um outro sucesso Admirável Gado Novo (primeiramente lançado no álbum A Peleja do Diabo com o Dono do Céu) foi usado como tema do líder sem terra Regino, personagem emblemático de Jackson Antunes na novela O Rei do Gado. Ele também lançou o álbum Eu Sou Todos Nós, seguido do Nação Nordestina, sendo que nesse último a música nordestina foi novamente explorada. O álbum foi indicado para o Latin GRAMMY Award de Melhor Álbum de Música Regional ou de Origem Brasileira.


PESQUISA: MAGNO MOREIRA

CONTEÚDO: MPB TOTAL

quinta-feira, 29 de abril de 2021

'😁 ''NOCO'' Polêmica sobre capa de álbum 'Todos os Olhos' de Tom Zé 😁

 


Mais de 40 anos após lançamento do disco, envolvidos no projeto dão suas versões sobre a imagem. Afinal, é uma boca ou um ânus? Mais de 40 anos depois de seu lançamento, o álbum “Todos os Olhos” (1971), de Tom Zé, ainda gera debates. 

A questão nunca esclarecida é se a imagem retratada na capa é uma boca ou um ânus. No “Conversa com Bial”, em dezembro passado, Tom Zé não soube responder a questão. 

 Mas a produção do programa foi em busca de respostas e convocou o fotógrafo Reinaldo Moraes e o publicitário Chico Andrade, envolvidos no projeto, para esclarecer a dúvida. 

 Reinaldo e Andrade resgataram a história do álbum. Mas cada um conta uma versão. Confira o vídeo em que os dois relembram os momentos da produção da capa. “Movido por essa molecagem da idade, daquele momento, eu falei: ‘vou atrás, tanto das bolinhas de gude quanto do lugar onde colocá-la’. 

Aí uma amiga minha, muito amiga, sugeri para ela. E ela no mesmo instinto de molecagem, de farra mesmo, topou", recordou Reinaldo. "A sessão fotográfica foi épica. 

Porque minha máquina fotográfica era uma porcaria. Levei também farinha de trigo com água pra fazer a cola. Uma vez terminada a sessão. No dia seguinte entreguei os rolos de filme e ele falou que chegaram a conclusão que não estava dando ambiguidade, estava muito claramente um ânus e não queriam isso”, contou o fotógrafo, afirmando que acabaram optando por fazer novos registros usando uma boca. Já Chico foi direto: “A gente fez uns testes com boca, mas foi um c... mesmo. Era um trocadilho gráfico”. 

 “Essa foto foi o seguinte. Eu reuni três pessoas na época. 

Fomos até o Jockey Club. Tinha aquelas moças que faziam programa a noite. Contratamos uma fulana. A gente queria saber quanto que era o cachê e a gente pagaria o que ela perderia do tempo dela pra tirar essa foto. Feito isso, levamos a moça para agência. 
E foi aprovado, fizemos o layout...”. 

 E se a dúvida perseguiu mesmo após a consulta com dois envolvidos com o projeto, o coloproctologista Umberto Morelli foi consultado para tentar solucionar o mistério. 


 “É uma boca”, respondeu ele, ressaltando que o controle do ânus é ligado a evacuação e não a gestão de um objeto. No caso, a bolinha de gude.

G1


Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs e apresentador do programa Som do Vinil (Canal Brasil). 
Existe uma máxima dita por aí que trata das coisas antigas: “quem vive de passado é museu”. Discordo. 

Prefiro acreditar em Renato Russo, que cantava “o futuro não é mais como era antigamente”. E, usando o tema deste espaço, a música, posso comprovar. 

Um passeio pelas grandes lojas de discos que ainda resistem e você pode encontrar uma série de títulos lançados primeiramente em LP agora apresentados em versão CD. 

 Essa enxurrada de disquinhos prateados no lugar dos antigos bolachões se deve ao trabalho de pesquisadores que se embrenham nos arquivos das gravadoras em busca daquele disco lançado décadas atrás, mas que acabou esquecido embaixo de um monte de poeira. 

Entre esses arqueólogos, um dos nomes mais conhecidos é do paulistano Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs e apresentador do programa Som do Vinil (Canal Brasil). 

 Desde 1999 nessa empreitada, o músico já foi responsável por mais de 500 reedições. Entre elas, os dois únicos LPs do Secos & Molhados (Série Dois Momentos), as décadas de 1960 e 1970 de Marcos Valle (no box Tudo) e o único trabalho da power band de Hermeto Pascoal e Lanny Gordin, Brazilian Octopus (série Som Livre Masters). 

Charles Gavin agora está envolvido com a Coleção Cultura, projeto encabeçado pela Livraria Cultura que já tirou do “umbral” 20 discos, nacionais e internacionais, que passeiam por clássicos obscuros do sambajazz até o progressivo brasuca. Outros 10 estão sendo planejados para o segundo semestre. 

 Já nas lojas, Herbie Mann & João Gilberto & Tom Jobim (1962), por exemplo, é um encontro de estrelas da maior grandeza em torno da Bossa Nova. Filho de russos e romenos, criado em Nova York, Herbie era um apaixonado pelas possibilidades artísticas do banquinho e violão. 

O mesmo pode ser dito do cantor americano Jon Hendricks, que homenageou o pai da Bossa Nova em Salud! João Gilberto (1961). Outra preciosidade, há tempos esquecida, é o cartão de visita do arranjador Artur Verocai. 

Lançado em 1972, agora relançado em CD e LP, o disco mistura jazz, funk e soul, com uma roupagem elegante e participações fundamentais de Célia e Carlos Dafé.

* Arqueologia Musical *

quinta-feira, 22 de abril de 2021

''O bom e o velho Rock and Roll''

 

O Rock é uma vertente musical surgida do termo Rock and Roll. Originou-se nos Estados Unidos na segunda metade do século XX, alcançando seu auge nos anos 70 e 80. O gênero é fruto de uma combinação de diversos tipos de música, principalmente a música negra, que com o passar do tempo, desdobrou-se também em outros subgêneros. Hoje em dia ganhou o mundo e mobiliza grande número de pessoas que apreciam a vertente, tendo até uma data em sua homenagem, o Dia Mundial do Rock, em 13 de julho. 

O surgimento do rock aconteceu nos EUA como consequência da mistura de outros estilos musicais, com enfoque no jazz, folk, country e rhythm and blues. As primeiras experimentações ocorreram ainda na década de 40, sobretudo em seus últimos anos, mas foi nos anos 50 que a vertente ganhou contornos mais nítidos. Os nomes que se destacaram nessa primeira fase foram: Jackie Brenston, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Jimmy Preston, Little Richard, Bill Haley, Chuck Berry (esse considerado por muitos como o "pai do rock") e outros. 

 Apesar de quase sempre esquecidas, é importante pontuar a atuação das mulheres nesse contexto. Nomes como Sister Rosetta Tharpe, Memphis Minnie, Aretha Franklin e demais mulheres tiveram enorme importância para a história do rock. O rock através das décadas Nos anos 50 surge uma figura que viria a ser considerada mais tarde como "rei do rock", era Elvis Presley. 

O rapaz branco vindo da cidade de Memphis, no Tennessee, cantava no coro da igreja quando criança e recebeu influência do blues, vertente musical de origem negra. Elvis, imitando o estilo de músicos negros, deu ao rock visibilidade com uma postura "rebelde", aliando à sonoridade empolgante uma dança provocativa, tanto que foi chamado de Elvis, The Pelvis. 

 É importante salientar que, por conta de sua pele branca, Elvis teve maior espaço na mídia da época e foi melhor aceito pela sociedade conservadora americana. Ainda na década de 50, com as inovações tecnológicas, a guitarra elétrica foi criada, dando um carácter eletrizante para os concertos de rock e vindo a ser um instrumento essencial para o gênero. Nos anos 60 aparecem novos nomes na cena e o rock ganha ainda mais o coração do público. Têm destaque nesse momento: The Doors, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Pink Floyd, além das bandas The Beatles e Rolling Stones, que fizeram um sucesso estrondoso, ganhando fãs no mundo todo. 

Muito se fala sobre a origem negra do Rock. O que é a mais pura e incontestável verdade. Mas poucos sabem dizer o que é o Rock’n’Roll, como nasceu e o que aconteceu em seu surgimento e desenvolvimento. Reparem que começo o parágrafo dizendo “Rock” e posteriormente digo “Rock’n’Roll”. Não foi acaso, viu? Esse texto pretende ser um pequeno e resumido guia sobre esse capítulo do grande livro da música negra criada no século XX.

 


Laura Aidar Arte-educadora e artista visual/TODA MATÉRIA



                                                        PESQUISA: MAGNO MOREIRA 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

A mulher psicodélica

 

VOU PINTAR UM QUADRO PRA VOCÊ ... 


EXPLODIREI MEU AMOR EM CORES MÚLTIPLAS SÓ PARA O DELEITE DAS SUAS IRAS  DESPUDORADAS 
 COBRIREI O SEU CORPO DE AZUL TURQUESA O SEU SEXO 
PINTAREI DE VERMELHO A NUCA DE BRANCO O VENTRE VERDE 
NA CABEÇA USAREI O AMARELO 
 AS NÁDEGAS SERÃO ROSAS 
AS COSTAS DEVERÃO SER PRETAS 
 AS PERNAS MARROM 

 PÉS E MÃOS CINZAS E AS OUTRAS PARTES PINTAREI DE PRATA E OURO ... 

COLOCAREI TUDO EM UMA TELA E ATEAREI FOGO ... ATÉ PERCEBER A PRESENÇA DAS CINZAS ... 
 ATÉ PERCEBER O PRETO SOBREPONDO A TODAS AS OUTRAS CORES ... ESCONDEREI O ARCO IRIS EM UM ATO COMPARÁVEL A NERO EM ROMA. 

                                                               POETA DA LUA, JUNHO DE 2009

segunda-feira, 19 de abril de 2021

poluição eletromagnética

Tendo tem vista o conjunto de observações anteriormente mencionada sbre tema, julgamos ser oportuna a formulação de algumas sugestões aos responsáveis pelo setor elétrico no país, com vistas à adoção de medidas atenuadoras do impacto acarretado pelos campos eletromagnéticos
exposição populacional contínua aos campos eletromagnéticos de baixa tensão:

a) Planejar a gradual interdição de instituições e de outros locais, onde se desenvolvam atividades infantis (creches, escolas, parques e praças públicas), situados nas proximidades de fontes de alta tensão elétrica (linhas de transmissão, estações e subestações elétricas, entre outras).

b) Desenvolver atividades rotineiras de medições de campos eletromagnéticos

de baixa tensão, de maneira a assegurar que a exposição contínua de grupos populacionais, sobretudo crianças, se mantenha em níveis menores que 2,5 µG.

c) Limitar a construção de novas linhas de transmissão, estações e subestações

elétricas à áreas geográficas suficientemente distanciadas de núcleos populacionais,

de modo que sua exposição contínua aos CEM seja menor que 2,5 µG.

d) Planejar a realocação de fontes de alta tensão elétrica situadas no perímetro

urbano de áreas densamente povoadas (transformadores, subestações, linhas de transmissão), visando obter níveis residuais



                 PESQUSA: MAGNO MOREIRA

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Mais um disco dos Beatles comemora 50 anos

Today marks the 50th anniversary of The Beatles’ final studio album Let It Be. But, of course, their last record also marks their break-up and the disputes between the Fab Four in the run-up to its release. In fact, had Let It Be been left up to John Lennon, Paul McCartney, George Harrison and Ringo Starr, the album may well have never seen the light of day.

Mais uma preciosidade do rock completa 50 anos em 2020, refiro - me ao álbum Let it be dos Beatles.O disco "Let It Be", último LP lançado pelos Beatles, completa 50 anos  em 2020.

A 12ª obra do Fab Four, que liderou as paradas no Reino Unido e nos Estados Unidos, chegou às lojas quase um mês após a separação do grupo O disco, no entanto, não foi o último gravado por eles. Isso aconteceu com "Abbey Road", que foi lançado, antes, em setembro de 1969. O Let it be na opinião desse intrépido e incauto  blogueiroLet it be é o  melhor disco da banda.

 

                                por Magno Moreira em 09/2020.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

A utopia de More

A utopia é um livro instigante, esse intrépido e incauto blogueiro que vos escreve está relendo essa obra prima da literatura,imagino que li ''A utopia'' nos anos 90
 

O termo Utopia foi criado pelo inglês Thomas More para intitular um romance filosófico em 1516. Para compor a palavra, Thomas More juntou duas palavras gregas: "ου" (não) e "τοπος" (lugar), ou seja, se formos interpretar a palavra seguindo sua etimologia, Utopia significa um lugar que não existe na realidade. No entanto, a obra tornou-se tão célebre que o termo foi considerado uma espécie de gênero de escrita caracterizado por conter como principal tema uma organização política e/ou social ideais, geralmente em contraponto a uma organização política e/ou social atuais.

Por exemplo, se um autor vive sob um regime totalitário e escreve uma obra sobre uma sociedade que não existe representando por meio dela uma forma de governo considerada ideal, é possível que ele tenha escrito uma utopia, mesmo que sua obra não esteja diretamente vinculada à filosofia. Também pela definição posterior do termo, como gênero, podemos entender que a obra “A República” de Platão, embora escrita antes da obra de More e, portanto, antes da palavra ter sido inventada, trata-se de uma utopia, pois nela mostra-se a criação de uma cidade governada por reis-filósofos para responder à questão “o que é justiça?”.

Uma das marcas que indicam, em uma obra filosófica, a diferença entre uma utopia e uma Filosofia Moral ou Política é a exposição do pensamento: em vez de o autor de uma utopia trabalhar com conceitos e argumentos, ele expõe os conceitos aplicados a uma situação concreta. Por exemplo, Thomas More cria uma ilha-reino, com a geografia descrita provavelmente a partir de narrativas sobre a América, em que demonstra como seria aplicável uma sociedade sem propriedade privada e sem intolerância religiosa, na qual a razão é o critério para estabelecer condutas sociais e não o autoritarismo do Rei ou da Igreja – que, em seu contexto histórico, a Inglaterra do século XVI, estavam reunidos na figura de Henrique VIII, chefe de Estado e da Igreja Anglicana, criada por ele como forma de reverter a proibição da Igreja Católica ao seu novo matrimônio com Ana Bolena.

A Utopia de Thomas More

Thomas More, também conhecido pela forma latinizada do seu nome, Thomas Morus, foi um homem bastante influente na sua época, ocupando inclusive o cargo de Chanceler de Henrique VIII da Inglaterra. Estudou em Oxford, onde conheceu outro pensador importante do período, Erasmo de Roterdã que dedicou a ele sua principal obra, “Elogio da loucura”, e com quem estabeleceu correspondência. Ambos, humanistas e leitores dos filósofos clássicos, com grande simpatia por aquilo que diziam os estoicos e epicuristas, contestavam a tradição escolástica e queriam promover uma educação política que permitisse que as pessoas tivessem liberdade de pensamento. Essa base lançada por eles foi um terreno frutífero para a discussão filosófica posterior.

Justamente por prezar a liberdade de pensamento, More foi condenado à prisão por traição e, depois, à morte por manter-se firme em sua recusa ao novo matrimônio de Henrique VIII que contrariava um dos dogmas da Igreja Católica, a qual pertencia, e segundo o qual diz-se que só é possível contrair um novo matrimônio em caso da morte do cônjuge.

A religião em Utopia

Apesar de ter se oposto tão firmemente à Igreja Anglicana criada pelo rei, em Utopia todos têm liberdade religiosa e apenas deveriam ser vistos com desconfiança aqueles que não professavam nenhuma fé. Isso porque, na obra de Morus, a fé é consequência da razão e instrumento para exercício da justiça: os utopianos acreditam em Deus porque, pela razão, reconhecem que sua existência depende dele; a crença em um julgamento futuro faz com que todos se apliquem a exercer a justiça e a não se entregarem a prazeres de forma desregrada. Ou seja, aos utopianos é recomendada a fé em Deus, mas podem discordar a respeito de sua identidade.

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A religião de Utopia é formada a partir de preceitos do cristianismo e, também, de escolas filosóficas como o estoicismo e o epicurismo. Tem três verdades básicas:

1) A fé na existência de um ser supremo, como já foi dito;

2) A providência de Deus em relação aos homens é amável;

3) A fé na providência e na retribuição futura para a alma, que é imortal.

O bem comum, a divisão do trabalho e a propriedade privada

Um dos pontos principais de Utopia é a preocupação com o bem comum ao qual se submete o bem individual. Para tanto, os utopianos preferem a divisão dos bens entre todos, pois acreditam que isso garantiria a abundância para todos e não a concentração de riquezas nas mãos de um grupo pequeno. Diz Morus:

“É minha convicção firme que uma distribuição segundo critérios de equidade ou uma planificação justa das coisas humanas não é possível sem eliminar totalmente a propriedade privada. Enquanto ela subsistir, estou convencido de que há de continuar sempre a haver, entre grandíssima parte da humanidade e entre a melhor parte dela, o fardo angustiante e inelutável da pobreza e da miséria.” (MORVS, 2006, p. 479).

Por meio da divisão do trabalho, todos trabalhariam apenas o necessário para garantir o bem geral, pois do mesmo modo que ninguém trabalharia para outra pessoa, ninguém poderia se esquivar da sua responsabilidade. Até os viajantes deveriam trabalhar antes de serem alimentados. Em caso de haver produção além da necessidade de consumo, as horas de trabalho seriam reduzidas. A esse respeito, diz Morus:

“Se todos trabalhassem, a carga horária diminui para todos. Havendo seis horas apenas para trabalhar, [...] esse tempo é suficiente para produzir bens abundantes que bastem para as necessidades e que cheguem não apenas para remediar, mas até sobrem” (MORVS, 2006, p. 507).

Geografia da ilha de Utopia e organização político-social

No segundo livro, descreve-se a ilha como um semicírculo de quinhentas milhas de arco onde existem cinquenta e quatro cidades organizadas a partir da estrutura familiar. Na capital, há trinta famílias, cada uma dirigida por um filarca, o mais idoso e, em tradução literal, “aquele que a ama” (MORVS, 2006, p. 517). O principal papel do filarca é mediar a participação da população nas decisões políticas, mas sua função é supervisionar o trabalho e evitar a preguiça. Pratica-se a monogamia e todos sabem quem são seus filhos. No entanto, cada família nuclear é integrada às outras famílias com quem tenha laços de sangue. Cada família, entendida nesse contexto mais amplo, contém entre dez e dezesseis adultos na cidade e até quarenta no campo. Resumindo

A palavra “Utopia” aparece pela primeira vez na obra homônima de Thomas More. Significa “não lugar”, ou seja, um lugar que não existe na realidade.

Posteriormente, “Utopia” passou a ser considerado uma espécie de gênero de escrita caracterizado por conter como principal tema uma organização política e/ou social ideais, geralmente em contraponto a uma organização política e/ou social atuais.

A ilha-reino criada por Thomas More teve seu nome derivado de Utópos, seu descobridor.

A geografia da ilha foi descrita provavelmente a partir de narrativas sobre a América.

A “Utopia” é descrita como um semicírculo de quinhentas milhas de arco onde existem cinquenta e quatro cidades organizadas a partir da estrutura familiar:

Na obra, em estilo irônico e narrada pelo personagem Rafael Hitlodeu, Thomas Morus demonstra como seria aplicável uma sociedade sem propriedade privada e sem intolerância religiosa, na qual a razão é o critério para estabelecer condutas sociais e não o autoritarismo do Rei ou da Igreja.


Por Wigvan Pereira
Graduado em Filosofia

Brasil Escola 


 PESQUISA: MANU MOREIRA